Em audiência pública do SAAE vereadores se posicionam contra aumento de 19,5% da taxa de água

por Hayslla Mikaella do Couto publicado 01/06/2017 12h18, última modificação 01/06/2017 12h18
Reajuste de 12,5% chegou a ser votado pela população presente, mas projeto deverá ser enviado e votado em sessão ordinária na Câmara.

O auditório da Câmara de Vereadores de Vilhena foi palco da 3ª Audiência Pública do SAAE – Serviço Autônomo de Águas e Esgotos na noite desta terça-feira, 30 de maio. Na ocasião foi debatido o percentual de reajuste da tarifa de captação e distribuição de água. A discussão durou mais de 3 horas.

Participaram ativamente das discussões os vereadores Adilson de Oliveira (PSDB), França Silva (PV), Ronildo Macedo (PV), Samir Ali (PSDB), Rafael Maziero (PSDB), Carlos Suchi (PTN), Rogério Golfetto (PTN) e Leninha do Povo (PTB).

A audiência iniciou com a apresentação dos números atualizados da autarquia, explicada por técnicos e o diretor geral do SAAE Arijoan Cavalcante dos Santos. A proposta inicial foi de um reajuste de 19,5%.

O município de Vilhena tem um total de 29.420 contribuintes num universo de aproximadamente 94 mil habitantes, onde as bombas trabalham 14 horas por dia na época das chuvas proporcionando 48 mil litros, totalizando um aproximado de 480 litros diários por habitante. Esse mesmo número sobe para 18 horas por dia na época da estiagem, proporcionando 57.600 litros, um aproximado de 700 litros de água por habitante diariamente.

“Essa operação encarece no horário em que a energia fica mais cara, das 18h às 21h. Em Vilhena não há um centro de reserva, se tivesse haveria mais economia. O consumo em Vilhena é alto, para se ter uma ideia, a ONU considera o consumo de 250 litros por habitante um luxo”, asseverou Arijoan.

O Orçamento de 2017 foi estipulado em R$ 13.452.870,29 para o SAAE, valor que depende da arrecadação para ser efetivado, porém esse valor se vê comprometido devido as despesas sem cobertura orçamentária e financeira, herdadas da administração anterior em 2016. Somam-se a isso os gastos com o aterro sanitário, que é privado “Se o aterro fosse público poderíamos economizar mais. Por isso venho propor o reajuste em 19,5%”, afirmou Arijoan.

 

VEREADORES CONTRA AUMENTO

 

O presidente da Câmara de Vereadores, Adilson de Oliveira, contestou o número apresentado pelo SAAE, de que cada habitante consome 700 mil litros por dia, “Isso é humanamente impossível, podemos trabalhar mais a gestão dentro da autarquia para arrochar as contas e otimizar o sistema de transporte e coleta de lixo para o aterro sanitário. Para começar tem que dar condições na estrada que dá acesso ao aterro. Não podemos mexer no bolso do pequeno consumidor”, explicou.

O vereador França Silva cobrou a tarifa social prometida após a tentativa de aumento passada que era de 40%, “Lembro que na ocasião a prefeita prometeu dar um desconto de 50% para as pessoas de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família e hipossuficientes economicos”, asseverou.

Ronildo Macedo disse: “Moro em um bairro carente e vejo gente molhando a rua de chão, poderíamos investir em conscientização do consumo. Nos bairros há muitos canos quebrados. Temos duas opções, ou coloca ponto, ou coloca asfalto, prefiro asfalto”.

O vereador Samir Ali ressaltou que a instalação de 20 mil hidrômetros não vai diminuir as despesas, “A coleta de lixo deve ser proporcional, há grandes empresas que despejam imensos volumes de lixo por dia, eles deveriam pagar mais”, apontou.

Rafael Maziero apontou a inadimplência como o principal ponto a ser combatido e a instalação dos hidrômetros já é um passo para corrigir o problema.

A vereadora Leninha do Povo cobrou uma taxa diferenciada para os chacareiros, “Eles dependem da água para sua produção, devemos dar incentivos para que possam seguir comercializando”, explicou.

Representantes da população presente na Câmara também tiveram a oportunidade de dar sua opinião no assunto.

Após acalorada negociação, o diretor do SAAE propôs uma aumento paulatino de 7,5% no dia 10 de agosto, outro de 2,5% no dia 10 de outubro e um último de 2,5% no dia 10 de dezembro, que foi votado pelos presentes e de forma não unanime foi aprovado.

Finalmente, o aumento foi aprovado por votação entre os presentes, porém com o voto contrário de todos os vereadores. Agora o SAAE deverá propor outra audiência pública ou deverá enviar o projeto baseado na votação em audiência pública para ser votado em sessão ordinária na Câmara.

 

 

DICOM – Câmara de Vilhena